
A Arena Fonte Nova, em Salvador, está sendo reformada com a participação de 25 ex-moradores de rua, contratados como ajudantes de produção. Mais 88 moradores do entorno da cidade estão sendo capacitados em outras diversas tarefas.
A arena servirá de palco para seis jogos da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, e também concorre a uma vaga para sediar a Copa das Confederações.A participação dos ex-moradores de rua foi possível graças a uma parceria do consórcio responsável pela reforma do estádio, a Fonte Nova Negócios e Participações, com a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) da Bahia, a Comunidade Igreja da Trindade e o Movimento de População de Rua da Bahia.
A parceria possibilitou o desenvolvimento do Programa de Inclusão de Moradores de Rua no Mercado de Trabalho.A contratação dos 25 trabalhadores foi possível graças à identificação, qualificação pessoal, criação de meio autossustentável e capacitação profissional realizada pelo programa. Em sua segunda etapa, o programa agora investe na qualificação social, por meio de dinâmicas e reuniões, além da capacitação profissional de 88 moradores de rua nos cursos de pedreiro, carpinteiro e montador de andaimes, por meio do programa Qualifica Bahia, do governo estadual.
O objetivo do programa é qualificar, incluir e capacitar essas pessoas, criando a oportunidade de obter emprego formal, e não só nas obras da Fonte Nova. “
Aqui é uma comunidade, onde propomos um caminho para a pessoa sair da situação de rua e assumir a sua independência, autonomia”, explica Irmão
Henrique, um francês que há 11 anos mora e acolhe moradores na Igreja da Trindade, em Água de Meninos, na capital baiana.
Antônio Marques começou como ajudante de produção, mas já foi promovido e hoje trabalha na área administrativa como arquivista. Depois de parar na rua porque o padrasto não o queria em casa, e passar por momentos difíceis para conseguir sobreviver, ele hoje sente orgulho da vida que adquiriu.
“É duro, a gente arrisca a perder a vida pelo território. Mas hoje eu sonho e tenho expectativas. Tenho meu quarto, dinheiro para comprar lanches e me vestir. Sonho em terminar o ensino médio e ter minha casa. Hoje não penso mais na morte, só penso em viver”, conta.“
Hoje eu olho mais à frente e vejo uma vida melhor”, diz Francisco das Chagas, também ajudante de produção. Valdemir Barbosa diz que o movimento mudou sua vida completamente:
“Um dia vou contar para os meus amigos que aquela Arena me tirou da rua”.
Fonte: Ministério do Esporte